sexta-feira, 6 de março de 2009

Olha Elle aí...

Lula e Collor batendo um papo no Planalto: São aliados

O Brasil de 1989 ia eleger seu presidente, pela primeira vez em 30 anos. De um lado o senhor à esquerda na foto. Barbudo, mal vestido e sem instrução. Representava o povo, os trabalhadores. Do outro lado o senhor da direita. Bonitão, jovem, elegante, cheio de retóricas e críticas a corrupção e aos "velhos" políticos. Um odiava o outro. Eram como àgua e óleo. O nosso galã de plantão acabou vencendo por pequena vantagem.

E o restante é história das boas...

Passados 20 anos, o barbudo - que não é mais tão barbudo assim - é o presidente da vez e o caçador de marajás é senador. Um está aliado ao outro. Um defende o outro.
No circo legislativo de Brasíllia onde um velho conhecido de bigodes dá as cartas, o senador se elegeu para importante comissão. Como que renascido das cinzas. Depois de cassação, ostracismo, eis que surge com sua bela cabeleira castanha como presidente da Comissão de Infra Estrutura do Senado. E com apoio (velado) de quem? Sim, dele mesmo do outrora comedor de criancinhas.
Nossa política é sempre muito ágil e rápida (quando querem). Inimigos se tornam amigos e vice-versa sempre colocando, claro, os interesses do distinto público acima de tudo.
Que beleza né?
E enquanto o molusco e o Collorido confraternizam, o Sr. Burns e Mãe Dilma, vão disputar apenas o volante do trem. Que é sempre dirigido pelos vagões, que atendem pelo nome de PMDB.

O Rei Voltou!

Michael no auge em 1984

O controverso ídolo Michael Jackson anunciou seu retorno aos palcos. O Rei do Pop irá fazer 8 shows em Londres e poderá faturar a singela quantia de 240 milhões de dólares. Quantia imensa, mas para um astro falido que nem MJ insuficiente para suas dívidas astronômicas.

Noves fora as polêmicas, as bizarrices e tudo mais que envolvem negativamente Michael. Eu adoro o cara e fiquei muito feliz com a volta dele aos palcos. Espero que um dia ele venha ao Brasil, pois eu estarei nesse show com certeza.

O Off The Wall e o Thriller são fodásticos. Estão entre os melhores e mais vendidos discos da história. Não há quem nunca ouviu e dançou ao som de alguma música dele.
Quando MJ veio ao Brasil em 1993 eu era criança, mas me lembro de alguns detalhes. Seus shows no Morumbi, sua ida ao Playcenter e todo o frenesi que o astro causou.

Vida longa aos mitos com talento! Vida longa ao Rei do Pop!

quarta-feira, 4 de março de 2009

O que sobrou do porão






Cravada entre as belíssimas estações da Luz e Júlio Prestes, no centro de São Paulo, existe um bonito e antigo prédio (foto acima) avermelhado, com vitrais antigos e muito bem cuidado. Projetado por Ramos de Azevdo (o mesmo arquiteo, que entre outras coisas, desenhou o Teatro Municipal) em 1910 o edifício foi por muitos anos o DOPS (Delegacia da Ordem Política e Social), um dos principais centros repressores da ditadura militar (1964-1985).

Para lá eram mandados todo e qualquer tipo de "subversivo", que na maioria das vezes sofriam torturas mentais e físicas, além de uma parcela deles "desaparecerem" até hoje.
Durante os anos de chumbo o Dops teve como estrela maior o Delegado Sérgio Paranhos Fleury (morto em estranhas circustâncias em 1979) e foi dirigido em sua fase final pelo então Delegado Romeu Tuma (o mesmo que hoje é senador).
O Prédio

Desde 2007 sob chefia da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o prédio foi todo reformado e passou a abrigar a "Estação Pinacoteca". Nada mais que um espaço para obras de artes e exposições. Assim como a Pinacoteca do Estado, que por sinal fica ali perto.

Porém, o governo teve o cuidado de reservar um espaço no térreo para criar o "Memorial da Resistência", que nada mais é do que alguns painéis explicando a utilização do prédio, uma retrospectiva do finado Dops (extinto em 1983) e o único espaço que não foi reformado do prédio. Um corredor com quatro celas utilizadas pela repressão para prender e torturar.

As sobreviventes



Este corredor, da foto acima, é a parte mais tenebrosa do edifício. Que não lembra em mais nada o velho ocupante. Tudo está muito clean e reformado. Menos o corredor das celas. Ali, a luz baixa e o som de canções da década de 1960 e 1970 ajudam a tornar o ambiente mais sombrio. As celas em si são um esptáculo da tristeza. Janelas caindo aos pedaços, junto com portas jurássicas. No meio, um pilar, que provavelmente era usado como "tronco" pelos agentes. Banheiro e o que restou do banho de sol (a maioria das celas e do espaço de sol foram demolidos nos anos 80). Um clima deprimente realçado por anotações de presos políticos nas paredes.

Nessa hora, comecei a pensar em algo surreal: "E se essas portas falassem? Essas celas?" Já que os arquivos da ditadura continuam proibidos ou foram destruídos. E os agentes da repressão ainda vivos nada falam e se escondem como os "subversivos" de outra época. Por quê? É um mistério sem fim.

Na saída, vejo fotos da época em que o Dops era um orgulho nacional. Uma época de extremismos. Ou tudo ou nada. Ou amigo ou inimigo. Era amar ou deixar.

Me despeço do belo prédio com fotos. Ele não tem culpa. Foi projetado para ser a sede da Railway Sorocabana. E quantas pessoas não passam por ele e apenas o acham mais um desses "mausóleus" da cidade?

A vida continua. Mendigos dormem, bebem e xingam. Motoristas apressados. Cortiços por todos os lados. Dobro a esquina e vejo a Luz. E aquela réplica do Big Ben londrino. Ela está sempre lá, jogando luz em direção ao Largo General Osório, 66. O Dops.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Twitter: Pra quê?

Demorei para entrar no Twitter. Eu sou daquele tipo que acha que, para não ficar desatualizado, tem que conhecer todas as novidades tecnológicas. Procuro conhecer tudo que sai na internet de novidades. O que não significa que eu vá me tornar um usuário e fervoroso defensor.

Este foi o caso do Twitter que, como já disse, demorei para entrar. Resolvi dar uma chance, mas não vi muita (para não falar nenhuma) finalidade naquilo. Trata-se de um site de relacionamentos em que você acompanha pessoas e você recebe delas e as envia mensagens curtas sobre alguma coisa. Pode ser um link interessante, um desabafo ou apenas algo idiota para satisfazer seu ego. E essa última opção, infelizmente é a que mais aparece.

Coisas como: "Estou no aeroporto indo passar férias em Fernando de Noronha". O que isso me interessa? Ou então: "Estou ouvindo o novo disco do Coldplay". Tá. Legal. Mas e daí?

As pessoas com quem eu quero manter contato, ou quero conhecer eu localizo de outra forma, provavelmente via telefone ou e-mail. Conhecer os gostos das pessoas? O orkut é muito mais útil pra isso que o twitter.

Enfim, não vi muita utilidade a não ser a de algumas pessoas com a necessidade constante de ser o centro das atenções e postar até a hora que vai dormir e acordar.

Nem todos são assim. Mas pra mim o Twitter é algo oco. Não serve.

"A Favorita": A melhor novela dos últimos 10 anos




Toda novela das 20h (o termo aqui é só por costume, ultimamente elas começam às 21h30) gera discussão. Faz sucesso. Vira capa de revistas e as músicas tocam incessantemente nas rádios. Sempre possuem um núcleo de humor e bordões que caem na boca do povo. Como diria o magistral Sinhozinho Malta, tô certo ou tô errado?

Errado. "A Favorita", a atual dona do horário foge de alguns desses clichês baratos, como apelar para "quem matou quem", bordões e núcleos de humor. A trama de João Emanuel Carneiro, é um thriller policial maravilhoso, criativo. Sem a falta de imaginação que perdura nas novelas há muito tempo.

A história de Flora e Donatela é revolucionária. A vilã não passa de uma perturbada mental que ama a mocinha, uma psicopata que mata tudo e todos a sangue frio. A maioria das personagens não são nem 100% bons e nem 100% ruins. Existe um quê de bondade e maldade em cada um.

O elenco é formidável. Patrícia Pillar está deliciosamente perversa como Flora. É o destaque do ano. Claudia Raia, impecável como Donatela, aquela que todos achavam no começo da novela que era a assassina. Mariana Ximenes, apesar de fazer uma personagem 10 anos mais nova que ela, está perfeita. Destaque também para Murilo Benício, como o malandro Dodi.
Ah! E é sempre bom ver Tarcisio, Glória, Mauro Mendonça e o grande Ary Fontoura. A velha guarda é fundamental.

Só pelo fato de não apelar para personagens engraçadinhas, bordões e o medonho "quem matou quem?", "A Favorita" já merece menção. Pela ousadia de revelar o grande mistério da novela no capítulo 60 (com 3 meses de exibição) então? Merece louvor!

E o que dizer do trabalho de produção da Rede Globo? Não é a toa que ela é...bem, a Rede Globo!
A trilha sonora, a luz, a fotografia. Vejam, por exemplo a cena do reencontro de Flora e Donatela em um teatro abandonado exibida ontem e hoje? Aquilo é cinema puro!

O jovem JEC (o autor) , em sua terceira novela, escreveu logo em sua primeira trama em horário nobre, uma história bem amarrada e bem fundamentada. "A Favorita" é a melhor novela que vi nos últimos 10 anos ou mais. Mas para não ser injusto, com "Torre de Babel" (1998), que também foi boa, do maravilhoso Sílvio de Abreu vou me ater de 1999 pra cima.

Tanto novela quanto autor já marcaram presença na história recente da TV.

E depois da semana que vem no lugar de "A Favorita" estréia "Caminho das Índias", de Glória Perez. E Glória Perez é Glória Perez, né? Clichês, polêmicas provocadas, bordões que grudam e toda aquela canastronice habitual. Espero estar enganado, mas...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pílulas

* Ontem entrou em vigor as novas regras ortoigráficas da lingua portuguesa. Preciso estudá-las. Ainda não entrei nelas

** Acho que vou sair do Twitter. Não achei tão interessante, não.

Post de Ano Novo

Talvez você ainda esteja de ressaca do reveillon em uma praia lotada, que em todos os lugares que você olhe existem pessoas e filas. Além do calor e dos pernilongos.

Talvez você esteja dormindo afinal, não gosta desse papo de ano novo e essa obrigatoriedade de sentir esperança.

Ou então esteja fazendo que nem eu. Sempre confiante, esperançoso e crente que estão superestimando essa tal crise econômica e que tudo será cada vez mais belo e lindo.

Não baby, dessa vez não vou bancar o ranzinza de sair criticando as pessoas que fazem simpatias, se vestem com determinada cor e muito menos sair dizendo que é uma simples mudança de data.

Pode até ser. Mas eu me permito agora sonhar de vez em quando, abstrair e encher meu peito de esperança. É como um recomeço. Quero tudo, mas tudo mesmo que a vida tem de bom.
E desejo o mesmo pra você. Seja quem for.

Bom ano para todos nós.