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quarta-feira, 20 de maio de 2009

A papagaiada do 3. mandato

Lula já disse que não quer, mas a mídia e a oposição continuam batendo na mesma tecla surrada

Com uma crise econômica mundial na antessala do país, a irresponsabilidade de setores formadores de opinião insiste em prosseguir. Não basta a espetacularização da doença da Ministra Dilma e de uma inútil CPI da Petrobras, a maior empresa do país, agora oposição e mídia por algu motivo torpe ressuscitaram um assunto que parecia morto. A mudança nas regras do jogo para permitir um novo mandato para Lula.Isso é pura lorota e só demonstra como as coisas não são levadas a sério nesse país em troca de uma politicagem barata.

O fato é: Lula não quer um terceiro mandato em 2010. Faço minhas as palavras do presidente do IBOPE em entrevista ao grande Ricardo Kotscho: "Elegendo ou não seu sucessor Lula sairá do Planalto nos braços do povo e como um dos maiores presidentes do país ao lado de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. É um mito vivo e não sujaria sua biografia com essa medida casuística".

Basicamente é isso. Esse papo de 3 mandato é falta de assunto. Porque os partidários dessa tese não apresentam projetos alternativos ao país ao invés de ficar nessa retórica pobre? Lula não seria louco de trocar seu prestígio e sua posição na história por uma aventura perigosa. Mesmo que 51% da população apoie a medida e que ele continua sendo o líder nas pesquisas de 2010, o presidente sabe que existe um compromisso maior que ele, partidos e pessoas. A democracia. Lula vai passar, a democracia brasileira esperamos que não.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

De mãos atadas

Sem maioria na câmara municipal, Luiz Marinho (PT) sofre em seu início de mandato tentativa de desestabilização de seu governo

Eleito pela maioria absoluta dos eleitores de São Bernardo. Luiz Marinho quebrou um tabu de 20 anos em que seu partido, o PT, não elegia o prefeito da cidade onde nasceu, surgiu e despontou até se tornar o maior partido do Brasil.

Marinho é quase que um "filho" da liderança maior e fundador do partido. O popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ajudou e muito na eleição do "afilhado".

Pois bem, com a volta do PT ao comando do Paço surgem os problemas. O principal deles se chama governabilidade: Marinho simplesmente não a tem. Na Câmara Municipal loteada de raposas dispõe de 11 dos 21 votos e do presidente da casa Otávio Manente. Mas é só. Na prática, o prefeito sofre a oposição violenta de PSB, PMDB e PSDB, comandados pelo ex prefeito Dib e seu pupilo o candidato derrotado a prefeito Orlando Morando, que nada aprova.

Luiz Marinho não consegue aprovar nem uma mudança de rua. Hoje mesmo teve um simples e comum projeto de reforma administrativa rejeitado pela Câmara. O prefeito está de mãos atadas por vereadores que até ontem estavam no poder e por pura politicagem se opõem a tudo em prejudicam a cidade.

Cabe ao prefeito trocar seu núcleo de articulação afim de melhorar o relacionamento com o legislativo e construir maioria, porquê senão o governo emperra.
E Marinho tem projetos. Tem competência. Só precisa de maioria política na Câmara, pois respaldo popular ele tem.

Como disse um certo jingle político "Deixem o homem trabalhar". Ganha a cidade, a prefeitura e até os vereadores que parecem seguir ordens de gente sem um pingo de ética e amor pela cidade.

Estamos de olho São Bernardo!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Senado sem moral nenhuma

José Sarney e o tamanho do pepino que arrumou ao se eleger pela 3. vez presidente do Senado



O Senado Federal é e sempre foi uma casa conservadora, cheia de ritos e tradições. Constitucionalmente, ela representa os "interesses dos estados", ao contrário da Câmara que representa os interesses do "povo". Como só existem 3 senadores por estado e, cada um para se eleger precisa de uma votação quase igual a necessária para eleger um governador. o Senado é dominado por raposas velhas da política. Figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Agripino Maia, Tasso Jereissati e tantos outros "carimbados" estão lá, por exemplo. E uns com uma longevidade assustadora. Sarney por exemplo é senador desde 1970, só interrompido quando foi Presidente da República (1985-1990).





PMDB faz a festa; Renan volta com tudo





Não contente com escândalos passados, como compra de votos, violação de painel, ranários, grampos e recentemente a queda de um presidente por pagar pensão da amante com dinheiro de empreiteiro, o Senado iniciou o ano elegendo José Sarney pela terceira vez presidente da casa. Com ele, voltam o ex presidente Collor, como presidente de uma comissão poderosíssima e o outra hora derrubado Renan Calheiros como lider do PMDB e eminência parda do Senado.


Como cérebro da eleição de Sarney, Renan voltou muito poderosíssimo, elegendo aliados em postos chave e se tornando obrigatoriamente um interlocutor do governo


A farra dos cargos e escândalos


Com a eleição de Sarney, Collor e Cia, o clima no Senado se tornou insuportável. O velho clube corporativista formado por amigos, passa por momentos de dossiês, acusações e baixarias de todo o tipo. Os esqueletos resolveram sair do armário e a farrav de cargos e diretorias inúteis vêm a tona. Para "espanto" do presidente Sarney e alegria de Lula...





Legislativo em frangalhos = Executivo forte


Enquanto o Congresso, mas precisamente o Senado, definha, o Presidente Lula sorri. Recordista de popularidade (ainda mais a esta altura do mandato), com um PAC na manga e Dilma para emplacar. O Presidente não faz nada para acabar com a bagunça do poder legislativo. Pelo contrário, se exime da briga em sua própria base governista. Simplesmente porquê não precisa aprovar nada do Congresso e porque sabe também que enquanto o legislativo estiver no fundo do poço, mais forte ele fica.

E enquanto isso nada anda no país tropical abençoado por Deus e bonito por Natureza.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Prefeitura que caiu no colo (e o prefeito que não sabe o que fazer)

É melhor rezar mesmo, prefeito

O A do ABC é de (Santo) André, mas agora é também de Aidan Ravin. O prefeito que derrotou o PT em um de seus feudos mais antigos. Sem apoio nenhum e com falta de dinheiro, o ex-vereador em primeiro mandato foi a grande zebra das eleições. Aidan não apresentou nenhuma proposta concreta para a cidade e se beneficiou da normal rejeição de uma parcela dos eleitores ao partido de Lula, um cansaço de 12 anos do PT à frente da cidade e também a seu carisma e lábia. Virtudes inegáveis do prefeito.

Aidan muito provavelmente não se candidatou pra ganhar. Colocou seu nome no pleito para testar a popularidade. Não acreditou que ia ganhar e ganhou. E aí a segunda maior cidade da região cai no colo dele que, perdido, não começa bem o governo.

A trapalhada começou antes mesmo da posse, ao anunciar secretários nas vésperas do Natal e ao declarar que iria criar secretarias por decreto. Péssima jogada.

Ao assumir em janeiro, o prefeito não conseguiu reverter o ar de paralisia que tomou conta do Paço. Mudou a jardinagem da cidade e resolveu auditar todos os contratos da gestão anterior. Atitudes que soaram mais como jogos de cena do que atitudes equilibradas.

Mas o grande problema de Aidan - além de sua falta de preparo e de projetos - é sua precária base parlamentar. Sua base oscila entra 9 e 15 de 21 vereadores. Oscila, porquê DEM e PSB fazem corpo mole e parecem debater "espaços" na administração que o prefeito parece não muito disposto a dar. Aí acontece a chamada "independência", ou até mesmo a "oposição" se juntando assim ao rancoroso PT. Que até hoje não digeriu bem a derrota.

Somando-se o fato de não ter pensado em projetos relevantes e com uma base parlamentar que o impede de governar, por não ter maioria suficiente. Aidan está perdido e parece não saber bem o que fazer com o "brinquedinho" que tem em mãos.

Há quem diga que o prefeito sofre chantagens e ameaças de dossiês comprometedores que podem levar a cassação de seu mandato. Eu não acredito. Só botarei fé quando as acusações saírem das conversas e se tornarem provas existenciais.

Espero sinceramente, que o prefeito Aidan Ravin faça a melhor administração possível. Que melhore a vida da população e que coloque em prática tudo o que pensa e projeta para o povo de Santo André. Que conserte os erros desse início e que consiga tocar bem a cidade.

Não seria louco de criticar um prefeito com menos de 100 dias de mandato, e muito menos torcer contra seu governo. Que seria a mesma coisa que torcer contra a querida vizinha Santo André.

É mão na massa Aidan!

Olha Elle aí...

Lula e Collor batendo um papo no Planalto: São aliados

O Brasil de 1989 ia eleger seu presidente, pela primeira vez em 30 anos. De um lado o senhor à esquerda na foto. Barbudo, mal vestido e sem instrução. Representava o povo, os trabalhadores. Do outro lado o senhor da direita. Bonitão, jovem, elegante, cheio de retóricas e críticas a corrupção e aos "velhos" políticos. Um odiava o outro. Eram como àgua e óleo. O nosso galã de plantão acabou vencendo por pequena vantagem.

E o restante é história das boas...

Passados 20 anos, o barbudo - que não é mais tão barbudo assim - é o presidente da vez e o caçador de marajás é senador. Um está aliado ao outro. Um defende o outro.
No circo legislativo de Brasíllia onde um velho conhecido de bigodes dá as cartas, o senador se elegeu para importante comissão. Como que renascido das cinzas. Depois de cassação, ostracismo, eis que surge com sua bela cabeleira castanha como presidente da Comissão de Infra Estrutura do Senado. E com apoio (velado) de quem? Sim, dele mesmo do outrora comedor de criancinhas.
Nossa política é sempre muito ágil e rápida (quando querem). Inimigos se tornam amigos e vice-versa sempre colocando, claro, os interesses do distinto público acima de tudo.
Que beleza né?
E enquanto o molusco e o Collorido confraternizam, o Sr. Burns e Mãe Dilma, vão disputar apenas o volante do trem. Que é sempre dirigido pelos vagões, que atendem pelo nome de PMDB.