sexta-feira, 27 de junho de 2008

O senhor no ônibus

4 horas da tarde e eu chego esbaforido no Terminal Jabaquara, saio da catraca do Metrô e vou em direção ao Trolébus. Sentido: São Bernardo, para minha casa.

Chegando no terminal D, ufa! Ônibus vazio e parado, entro e sento do lado de um senhor com seus 70 e poucos anos. Cabelos brancos, óculos, calças sociais e blusa de lã.
Do nada, ele chega e vira pra mim:
'A vida está muito melhor com esses metrôs e ônibus né?'
Eu disse que sim.

Sou muito, mas muito paciente com idosos. Adoro conversar com eles e tenho toda a calma e paciência do mundo. Os acho fonte de sabedoria histórica. O saco que não tenho com crianças, eu tenho com o pessoal de idade.
Ele quer assunto, vira pra mim e diz: "Quer ver como a viagem vai passar rápida??"

Ele se chama Luiz, eu me apresento e ele me chama de CARLOS metade da viagem, depois acerta meu nome. E fomos conversando sobre várias coisas: São Paulo, Deus, histórias da vida dele.
Conversando não é a palavra, eu só ouvia. Dava atenção. Ele repetia 4 vezes a mesma coisa e eu nem ligava. Era um senho humilde, desses que tem que lutar feito louco a vida inteira. Trabalhou na Mercedes e em 1975 se converteu à Igreja Testemunha de Jeová, conta sobre a pintura na casa, os hábitos do dia-a-dia.

É a história. É um choque de gerações. São outros hábitos, outros costumes. Troca de experiências.
Não sei se vou encontrar este senhor alguma vez mais na minha vida, mas a vida é cheia desses encontros e desencontros. O tempo une e afasta pessoas.

Passou-se o tempo e quando vi era a hora de eu descer, falei ao senhor Luiz isso, o cumprimentei e ele falou:
"Viu como passou rápido. Nem vimos o tempo passar."

Não mesmo.

O que você lê por aí?

Acordar cedo, se preparar para mais um dia de trabalho e pegar condução lotada. Geralmente se pega duas ou mais, ou uma somente mas, que demora tanto quanto que parecem que não vamos chegar nunca. O que você faz?
Umas pessoas dormem, outras de uns tempos pra cá recorrem aos MP3, tem aquelas que - coitadas - ficam espremidas e sem opção e ainda existem as que lêem algo para passar tempo.
Pode ser livro, revista ou jornal. O que preferir. O que for mais útil para passar o tempo.

Nessas indas e vindas por aí no transporte público, já vi pessoal lendo de tudo: Veja, Folha de São Paulo, Metrô News, o estranho Folha do Trolébus, Caras, Quatro Rodas, romances daqueles estilo 'Sabrina - Em busca do amor', livros de auto ajuda e - pasmem! - clássicos como Maquiavel e Confúcio.

Eu leio muito durante esses trajetos (mais ainda agora que estou sem MP3) e de tudo! Já li 'Caros Amigos', biografias, 'Quem mexeu no meu queijo? (péssimo, por sinal) e atualmente leio 'Inteligência Emocional'.

Ler é melhor pra passar o tempo do que música, por exemplo. Você se distrai, mergulha naquele universo e logo o tempo passa. Quando você vai ver, já é o ponto que você vai descer, ou às vezes até passou dele.

E aí? O que você lê nos busões, metrôs e trens da vida?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chororô

Antes quando ouvia a expressão 'chorar por amor', pensei que era uma metáfora.
Mas o tempo vai passando e a gente vai descobrindo que não é bem assim.

Com o meu caso atual, descobri que isso é a pura verdade.
Já chorei de amor por ela umas 4 vezes.
Poderia enumerar e também detalhar às vezes.
Só de lembrar meus olhos se enchem de lágrimas novamente.

Me enchem porque eu não a tenho aqui.

O choro é a expressão do sentimento.
Chorar faz bem.
Eu choro e chorarei toda vez que tiver vontade.
Mas quero chorar um dia de amor, chorar de felicidade.

Chorar nos ombros dela e depois sorrir, sorrir demais.
Meus textos de amor são chatos.
Repetitivos.
Escritos em um estilo rotineiro e com palavreado comum.

Mas são verdadeiros.
O meu amor é verdadeiro.
Ela não acredita.
Eu, sim!

De vez em quando sou acometido por uma sensação horrível.
Hoje, por exemplo, passando nos lugares que ela frequenta
Ou que eu frequentei com ela.

Ouvindo músicas cujas letras são o mais fiel retrato do que sinto.
E eu sinto muita falta dela.
A minha vontade era só uma.

Abraçar, agarrar beijar, sentí-la de todas as formas.
É despejar esse meu imenso amor.
Distribuir.
Ela não quer.

Ela me acha um saco.
Ela me acha insuportável.
Ela me acha inconveniente.
Ela me acha tudo, menos o que eu gostaria que ela achasse.

Eu no fundo sei que não combinamos.
Ou combinamos.
Vai saber?
Ela me atrai demais, demais e demais!

Amo ela e o que recebo em troca?
Nada.
Ou melhor, recebo.
Uma certa indifrença.
Não recebo o amor que eu quero.

Mas mesmo assim a amo.
Demais. Como nunca amei ninguém.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Saudade

Saudade só existe na lingua portuguesa.
Em espanhol o que mais se aproxima é 'recuerdo', que é recordação.
Recordação que em inglês se fala 'remember'.

Ainda bem então, que eu posso falar e escrever saudade.
E eu estou com saudades.
Tenho saudades eternas que nunca sacio.

Saudade do sorriso, do cheiro, do gosto e de um abraço que eu sempre tiro a 'fórcéps'.
Saudades do bom coração. Do caráter, da beleza!
Sinto saudades das horas ao lado, das provocações, da sinceridade e da fala calma.
Ou da fala bruta, tanto faz.


Ela senta saudades de mim?
Duvido.
Ou sente?

Às vezes acho que me engano, mas nunca pensei isso de alguém.
Às vezes acho que ela gosta de mim.
Lá na frente pode dar certo.

Mas o poder é uma suposição.
E isso que me aflinge.
Me corrói.


Mas enfim, sinto saudades demais dela
E acho que só vou poder matá-las de uma maneira
Que talvez não seja possível por enquanto.

Que pena!

Ruth Cardoso: Uma primeira dama, como poucas

FHC e Ruth : Casamento pessoal, político e profissional.

Ruth Cardoso, faleceu ontem aos 77 anos de arritmia cardíaca em sua residência no bairro de Higienopólis em São Paulo.
A ex primeira dama foi uma das mais importantes intelectuais do Brasil e pessoa influente na cena política do momento. Não só porque era esposa do ex presidente Fernando Henrique Cardoso, mas também por ser uma mulher politizada e antenada com o que acontecia no Brasil e no mundo.

Irei por uma linha de raciocínio diferente da comum nesses momentos. Em que a imprensa faz uma retrospectiva da vida da pessoa do ponto de vista profissional. Falarei, claro da antropóloga Ruth, mas usarei como fio condutor, seu comportamento nos mandatos do seu marido Fernando Henrique Cardoso.

Fernando Henrique e Ruth eram recém formados em ciências sociais na USP. Ela em antropologia e ele em sociologia, quando casaram em 1953. FHC virou um dos mais respeitados professores e sociólogos do país logo depois se tornou político. Senador e depois presidente. Ruth, sempre desenvolveu seu trabalho com louvor em sua área. Estudos sobre favelas, grandes cidades, urbanização etc.

Em 1968 foi cassada e exilada junto com o marido e retornando, com a anistia em 1978, sempre manteve uma vida cívica ativa.

Quem me conhece sabe das minhas discordâncias com a era FHC (1995-2002). Um governo que teve acertos e erros. Mas dona Ruth, foi um exemplo de primeira-dama. A melhor que já vi e uma das melhores do mundo.

As primeiras damas no Brasil geralmente são madames egocêntricas, festeiras, corruptas , cúmplices ou então acomodadas. Ruth Cardoso, não!
Talvez por sua formação, ela criou núcleos de incentivo a educação, alfabetização, alimentação enfim, maneiras de se pensar um país a longo prazo sem as amarras de um governo.
Seus projetos estão aí. Até hoje.

A ex primeira dama será lembrada como uma mulher decidida, arrojada e inteligente. Vai fazer falta. Ela falece, e com ela se vai também um pouco da geração de 1968, um pouco do pensamento crítico, um pouco do ideal da mulher ideal.
Entra para a história e fará falta!

Um texto

Um texto como não se vê nos livros técnicos
e também não se vê nas revistas e nos livros de sacanagem.

Um texto que não é igual a notícia quente da internet,
ou aquela meio morna do jornal.

Um texto que não chama a atenção como aquela pichação no prédio público
Ou aquele anúncio gigante no meio da avenida no centro da cidade.

Um texto nada inspirado. Não, como aqueles dos apaixonados, não como aqueles de amor.
E nem como aqueles manifestos enfurecidos contra alguma coisa ou alguém.

Simplesmente um texto. Sem nada pra falar. Sem nada a dizer.
Ocupando espaço.