sábado, 19 de julho de 2008

Fala Dercy!



Escuta aqui, o cara! Eu morri. É, muita gente pensou que isso não ia acontecer, não. Mas eu morri.
Eu não falava que todo mundo era feito de porra? Então. Uma hora essa carcaça ia toda pra puta que pariu, mesmo.

Esse pessoal aí de imprensa, de TV, de jornal e tal é tudo estranho mesmo né? Quando eu era mais nova, fazia teatros e cinemas eu era taxada por todos de puta. Isso mesmo, cara. P-U-T-A.
Aí, fui ficando velha, comecei a fazer novela, me tornar a velhinha engraçada né?

Você sabia que eu, o Silvio Santos e o Chacrinha levantamos a Globo? É, cara! Quando ela começou era uma merda danada, o meu programa dava 70 pontos de audiência. Aí depois me botaram pra fazer participação em novela,em novela. Porra!! Chega de tanta novela!!

Aí o Silvio Santos me contratou, fiz um programa lá, mas ele não quer que eu trabalhe. Fiquei lá, recebendo minha grana e gastando tudo no bingo. Vou fazer o quê? Cansei de falar com ele: "Eu quero trabalhar caralho!"

Filmes? Ah, cara. Eu fiz muitos. Eu era uma das poucas vivas daquela época ainda lá da Chanchada e tal. Mas nem me lembro de muitos não. Era tudo aquela putaria de Atlântida, Vera Cruz e o caralho a quatro.

E agora nem eu mesmo acreditei, ô cara! Quarta eu comemorei meus 103 anos. 103! Não é 100 porra nenhuma, é 103. Meu pai me registrou atrasado. Como eu tava dizendo, na quarta eu fiz show, apaguei vela e tudo e agora me dá uma merda dessa?

Como vou fazer agora? Voltar pra aquela porra de cidade que eu nasci? Madalena, esse nome mesmo. Tem um túmulo meu lá. Mas que porra? E meu bingo? E as minhas perucas? E meus palavrões?
Aliás, vai pra puta que o pariu que eu não falava palavrão, não. Palavrão pra mim é fome, é inflação. Desde quando caralho, filho da puta é palavrão? É nada, ô cara! Isso tá na mente das pessoas.

E quem diria hein? Eu, que era tratada como uma puta. Uma atriz menor e marginal, envelheci , agora morri e virei dama da cultura nacional.
Ah quer saber? Não mereço isso não. Vão a merda!

Homenagem do Blog para a grande Dercy Goncalves. Com ela se vai boa parte da história da arte brasileira. Dercy vai em paz e sempre será lembrada pelas pessoas que tentam fazer algo de bom nessa merda, porra!

Justiça seja feita com "Pantanal"!



Tenho que fazer justiça aqui. Quando a reprise de "Pantanal" começou, no SBT, escrevi um post extremamente preconceituoso e vazio sobre a novela. O antigo texto foi escrito baseado em impressões que tinha, bem ao estilo "não vi e não gostei". Como não costumo apagar as coisas que escrevo , vou deixar aí para quem quiser ler. Algumas coisas de lá são aproveitáveis.

Quando "Pantanal" passou pela primeira vez, em 1990, eu tinha algo como 5 anos de idade. Não lembro bem da novela. Lembro do grande sucesso que foi. Principalmente entre o pessoal de um pouco mais idade. Meus pais não assistiram a novela. Talvez eram "fiéis" a Rede Globo, vai saber.
Lembro bem de alguns personagens. Três para ser exato. Jove, Juma e José Leôncio. Lembro também que, com o estrondoso sucesso da novela, a Manchete esticou "Pantanal" ao máximo e criou filhotes. Um deles, era um programa chamado "Pantanal - Por de trás das câmeras", que mostrava o making of da novela. Aliás, por onde anda essa jóia da TV? Deve estar apodrecendo no prédio falido da TV Manchete assim como várias outras coisas.
E o último "lembro" da série é que a Globo para combater "Pantanal" lançou uma novela em seu horário com Tarcisio Meira e Christiane Torloni, escrita pelo grande Dias Gomes. Falo de Araponga. Esta sim eu assistia e era bem engraçada. Mas foi um verdadeiro fracasso. Caiu no esquecimento.

Aí a novela de Benedito Ruy Barbosa foi reprisada em 1992 (ignoro essa reprise, não lembro) e na agonia da Manchete em 1999. Nessa reprise é que eu peguei asco da novela. Imagem tosca, mal gravada, mal iluminada e ao certo ponto exploradora da beleza natural da região. Resultado: A reprise nem terminou, a emissora faliu primeiro. Assisti a um ou dois capítulos aleatoriamente e formei (pré) conceito, tanto que nunca via algo demais nela e nem toda essa pompa que fazem em cima dela.
Não via, agora eu vejo.

Com essa reprise do SBT, comecei a assistir e dar mais uma chance a novela. Não mudei meus conceitos em relação a parte técnica. Mas entendo que em 1990 gravar uma novela - ou qualquer obra - em ambiente externo não deva ser fácil. Mas a história, posso afirmar com certeza, é linda.

A saga de José Leôncio é a saga de vários brasileiros por aí. Um homem rico, bom e que só tem perdas em sua vida. Seu pai sumiu no mato. Casou com uma burguesa carioca, que lhe deu um filho e depois sumiu com o mesmo. Quando se reencontram, o filho rejeita o pai. Ele, que sempre amou a mãe de seu filho, a perde em um acidente de avião e por aí vai. Cláudio Marzo interpretou tão bem que parece que ele sofria mesmo. Uma novela impecável. Burra foi a Globo que não quis fazê-la.
A trilha sonora é linda. Os personagens são intensos e fortes. As imagens da natureza, eu não gosto, acho-as desgastadas, mas também tem sua beleza e importância.

"Pantanal" é o brasilzão velho de guerra. É o Brasil que vive, que pulsa, que faz. É o Brasil mais brasileiro possível. Realidade distante talvez, para nós que moramos nas cidades, mas coisas que nossos avós lembram e que continuam acontecendo cada vez mais nos pantanais desse Brasil por aí.
Que sorte tenho em poder assistir a esse clássico da TV.



quinta-feira, 17 de julho de 2008

Já faz 1 ano...

Caramba! Amanhã fará 1 ano que eu realizei um de meus sonhos. Foi há um ano que tive a honra de conhecer o meu maior ídolo. O mestre Silvio Santos.
Passa rápido hein...
Amizades como essa são falsas.
Duram até haver um interesse conflituante entre as partes.
Dinheiro, outras pessoas e poder são exemplos disso.
Será que você não enxerga isso?
Ou, como várias outras coisas na sua vidinha, você finge não ver?

Nada e nem ninguém dura pra sempre.
E neste caso menos ainda.
Você é uma pessoa convencida.
De certa forma prepotente.
E vai pagar por isso.

Como pode uma coisa dessas??


Nem comento nada...

Repouso Absoluto...

Isso é triste. Quando fui ao hospital na madrugada fria e nada amigável de sábado, a médica plantonista (e louca para ir embora, convenhamos), me fez um rápido exame e decretou.
"É repouso absoluto."

Esse repouso não poderia vir em pior hora por questões profissionais, mas por outro lado pensei: "Ah! É só descansar uns 3 dias que tudo melhora." Ledo engano.

O escriba aqui não faz outra coisa na vida nesses últimos dias a não se repousar. Repousa, repousa e repousa. Literalmente um moço bom de cama e caseiro. E mesmo assim nada da minha cara desinchar. Tudo bem, é a recuperação e ela é lenta mesmo.

Não sabia que repouso absoluto é tão chato. Fico querendo sair de casa, trabalhar e passear. Passo os meus dias lendo, repousando, tomando remédio, navegando na internet e escrevendo. Escrevendo loucuras, trolhas e dramalhões como esse de agora.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Amy Winehouse: Talentosa e auto-destrutiva

Amy quando ainda não estava nessa 'bad trip' atual


Deixando de lado esses assuntos chatos, sem importância e ao certo ponto ridículos aí de baixo, protagonizados por pessoas egocêntricas, que gostam de massagem no ego e não pensam duas vezes em pisar nos corações alheios e depois repetir frases clichês, como se fosse um robô.
Vamos falar de novidades, de gente nova, interessante e talentosa. Falo de Amy Winehouse, uma das mais surpreendentes noticias musicais dessa primeira década do século.

Amy, é londrina, tem 24 anos e ao contrário da maioria do pessoal dessa idade. Não faz danças sensuais, músicas de baixa qualidade e nem fica mostrando suas curvas por aí. A cantora faz uma mistura de blues e soul maravilhosas. Algo como aqueles das divas americanas dos anos 40 e 50.

É música de muitíssima qualidade. Sempre com letras fortíssimas, de acordo com a realidade amorosa. Claro, como a maioria dos jazz, os seus são de letras que beiram a fossa ('Love is a Losing Game, por exemplo). Mas é uma fossa classuda. Uma fossa bem cantada, muito bem tocada e com uma letra bem escrita. Não é esses "mela cueca" que a gente vê aqui na 'terra - brasilis'. Ando pirando em Amy Winehouse e pelo jeito, ela está pirando também..

Amy é milionária, casada e tem uma vida muito desregrada. Bebe feito doida, usa todos os tipos de drogas possíveis, seu marido já foi preso e ela já protagonizou e protagoniza os maiores escândalos públicos da música. Já foi internada numa clínica anti-tóxicos, mas não surtiu efeito nenhum. Continua bebendo, cheirando e fumando. Sua saúde está indo pro ralo. Sua aparência já esquálida, agora está cadavérica. Sua voz está ficando fraca. Ou seja, é saúde e carreira sendo detonados.
Coisas de estrelas da música. Amy pode ter uma trajetória curtíssima desse jeito.

Mas e daí? Isso é problema dela. A música é ótima e nada vai fazer eu deixar de ouví-la e concordar com ela que o amor é um jogo perdido e que eu sempre acordo sozinho.