terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A pílula, o carnaval, o ministro e a igreja

Pra início de papo acesse o link aí da notícia.
Então vamos lá.

A mais nova polêmica Igreja X Governo trata-se do anúncio da prefeitura de Recife de que irá distribuir as pílulas do dia seguinte durante o carnaval. A igreja Católica, é claro, chiou e o ministro da saúde saiu em defesa da prefeitura. Bate e rebate e não chegam a lugar algum.

***

Eu gosto de carnaval, antes não gostava, mas acho que esses quatro dias (ou cinco ou seis ou tantos que for) devem ser curtidos e aproveitados ao máximo. Ao máximo, mas respeitando seus limites e responsabilidades como ser humano. A "peleja" atual, pra mim, é uma perda de tempo total. Todos erram.

Erra a prefeitura de Recife em distribuir algo que, na minha opinião, deve ser tomado em ultimíssimo caso. A chamada pílula do dia seguinte faz muito mal a mulher, seu efeito é equivalente a de uma cartela inteira da anti concepcional simples. É uma dose violenta de hormônio de uma vez só, desregula todo o organismo e causa muito mal-estar, enfim, beira a crueldade. Acho que a prefeitura poderia distribuir a pílula somente em caso extremo, como os de abuso sexual e/ou estupro, ou então, usar a verba que vai gastar com as pílulas em outros programas de conscientização mais interessantes e baratos.

Erra a Igreja ao querer se meter em assunto externo ao dela. Sua doutrina prega o amor e a vida e renega métodos anti- concepcionais. Ok. É seu pensamento, eu discordo, mas respeito. Mas a Igreja Católica deveria se preocupar com assuntos do seu âmbito ou então em ajudar a sociedade de forma participativa a resolver problemas mais graves.

Erra o ministro em comprar a briga da prefeitura contra a Igreja. O ministro deveria se preocupar com a campanha a favor da camisinha, contra a febre amarela e outras doenças da época do império que insistem em existir no Brasil.

Ninguém é obrigado a nada. A pílula está lá e toma quem quer. Assim como a camisinha, usa quem quer, o sexo faz quem quer e até o carnaval, curte quem quer.
O negócio é ter responsabilidade!
Vamos aproveitar a nossa vida, mas sabendo que ela não acaba agora. Temos muito pela frente e muitos carnavais também.

Ideais firmes como geléia

A pessoa nasce, cresce, desenvolve e se evolui. Dado momento começa a ter opiniões, gostar de umas coisas e desgostar de outras, enfim, ter personalidade. E isso quando se é jovem é tudo. A pessoa é turrona, ela está sempre certa, nunca erra e não adianta: Tudo que o outro gostar ou falar e ela discordar, é abominável e ponto final.

Aí os pais começam a empurrar o dito cujo (a) para o mundo lá fora e o mundo não é como no quarto dele. É meu caros, aí entra o argumento mais infalível de todos. O vil-metal, a bufunfa, o papel moeda, ou seja, o dinheiro.
A luta e a necessidade de se ter dinheiro faz o maior dos radicais se tornar o mais fiel dos flexíveis.
E as idéias do radical se tornam "discutíveis", "contornáveis".
***

Fiz essa introdução para comentar sobre uma pessoa que conheço que até há um certo tempo detestava qualquer tipo de música que não fosse o que ele ouvia, gostava e tocava. O que ele gostava? Eram uns rocks melódicos, hardrocks estranhos e um tal metal progressivo. Coisas de gente 'alternativa', sabe?
Falar em música nacional ou em uma música um pouco mais comercial era um crime! Logo vinham adjetivos como: 'Lixo' 'Porcaria' etc.

Pois bem a tal pessoa hoje em dia por razões até financeiras toca e ouve com orgulho e sem desfaçatez coisas que, para mim por exemplo, sempre foram boas e eram tratadas como sub música por ela. Grupos como "Ira!", "Paralamas", "Audioslave" etc.

Não que a gente tenha que ter a mesma opinião sempre. Mas, como se tratamos de seres que evoluem, pensam, nem sempre o que pensamos hoje vamos pensar amanhã. Portanto, é essencial respeitar as diferenças, os gostos e não ter opiniões tão fortes, pois assim, não nos queimamos por aí e nem geramos atritos. Nossos ideais são firmes como geléia mesmo, então pra quê tratarmos como se eles fossem de pedra?

Como diz aquela música. "Vivendo e aprendendo a jogar"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Músicas que marcam...

Já disse uma vez Erasmo Carlos. "A música e o orgasmo são as coisas que mais nos aproximam de Deus". Eu não sei.
O que sei é que a música mexe muito com nosso cérebro, inclusive com a memória afetiva. Quem de nós não tem aquela música que lembra da infância, da adolescência, de amores, frustrações, enfim, de fases da nossa vida?

Existem algumas canções pra mim que são fatais nesse aspecto. Eu não posso ouvir, por exemplo, "Mila" do Netinho e não lembrar de quando tinha meus 12 anos de idade e ia pra escola naqueles tempos. Ou então ouvir "Garota Nacional" (Skank) e não lembrar de como eu era feliz aos 10 anos de idade. Chegava em casa da escola, pega um pacote de bolacha, ligava a TV e sonhava. Indo mais fundo ainda. Ouvir aquelas músicas da Xuxa me trazem as mais remotas lembranças. Festas de aniversário, o nascimento do meu irmão e todas aquelas coisas boas de quando somos crianças. Dias desses ao ouvir "Doce Mel", que era o tema de abertura do "Xou da Xuxa" me arrepiei todo e quase chorei. As músicas nos trazem todas aquela sensações de volta e, ao mesmo tempo traz a frustração por não voltar aquele tempo.

As amizades que se foram? É infalível ouvir "Radio Ga Ga" (Queen) e não lembrar de um amigo meu de escola, impossível não ouvir "Torn" (Natália Imbruglia) e não lembrar de uma amiga que perdi no tempo.

Situações também. Como poderei esquecer as madrugadas diagramando meu TCC regadas a café e Secos e Molhados? Pra ser mais exato a música "Primavera nos Dentes". Inesquecível. Eu não posso ouvir "Mar de Gente" e "Rodo Cotidiano" (O Rappa) que eu me lembro do meu primeiro ano de faculdade.

E os amores? São um caso a parte. Não dá pra ouvir Backstreet Boys e não lembrar de uma, ouvir "Uma Partida de Futebol" (Skank) e não lembrar de outra, ouvir Ivete Sangalo e não lembrar de outra acolá.

As músicas ficam, o tempo não volta e a saudade ás vezes pega pesado. Mas chega de nostalgia, vai! Haverão músicas que ainda nem foram escritas e que eu, lá na frente, irei ouvir e lembrar de fatos e pessoas.

(Na cabeça nesse instante uma música. "Chiclete com Banana - Diga que Valeu", então valeu demais!)

O caso Jango

Deu na Folha de São Paulo de ontem, dia 27, que o presidente João Goulart (1961-1964), morto em 1976, teria sido envenenado a mando do governo brasileiro e não falecido de ataque cardíaco como diz a versão oficial. Quem declarou isso foi um ex- agente do serviço secreto uruguaio, que teria efetuado o "serviço".

O agente uruguaio teria recebido a ordem do - detestável - delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury (um troglodita torturador que morreu por razões estranhas em 1979) e este por sua vez teria recebido as ordens diretamente do presidente da época, Ernesto Geisel.

Ora bolas, algumas perguntas devem ser feitas aí.
Primeiro: O porquê de ressuscitar esse caso depois de 32 anos?
Segundo: O ex-agente uruguaio tem provas?
Terceiro: O que isso muda na história?

Todos os brasileiros com um mínimo de consciência política sabem como foi a ditadura militar do Brasil e também sabem que existe muita coisa daquela época mal explicada.
Eu mesmo, acho muita coincidência a morte de 3 líderes pré-1964 em menos de 1 ano.
Primeiro foi o ex-presidente Juscelino Kubitschek, do centro, em 1976 num obscuro acidente de automóvel na Via Dutra. Depois Jango, da centro-esquerda, também em 1976 de ataque cardíaco. E por último em 1977 Carlos Lacerda, o nosso reaça-mor, de direita, também de problemas cardíacos. Ou seja, em 1 ano se foram os maiores líderes brasileiros pré 1964 dos espectros políticos.
Só Brizola escapou, graças ao exílio nos EUA do então presidente Jimmy Carter.

Para entender a série de 'coincidências' temos que entender a situação da época. Em 1976 Geisel prometia a abertura política do país. Abertura esta, que seria 'lenta' 'gradual' e 'segura'. Pois bem, para evitar um 'caça ás bruxas' depois de entregar o poder aos civis, os militares teriam que tirar de campo os líderes pré 1964 que foram prejudicados pelo regime?
Quem seriam?
JK, que foi cassado, Jango, que foi deposto, Carlos Lacerda que foi cassado e Brizola, o agitador golpista, que também fora cassado.
Daí se entende quê?

Bem, a pergunta fica pro leitor.

Eu acho que isso não vai levar nada. Os personagens principais dessa história morreram todos. Talvez ainda não seja a hora de mexer em um passado tão traumático para o país.

Psiu!

O blog agora aparentemente tem leitores. Então vamos nos comportar, ok?
Hahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Li essa pergunta em um fórum de discussões sobre o metrô paulistano e realmente é de se pensar em uma resposta convincente pra ela:
Os metrôs da Cidade do México e de São Paulo tiveram suas construções iniciadas quase que ao mesmo tempo nos anos 70. Como pode a capital mexicana ter 440Km de trilhos e São Paulo apenas 70Km??

Parabéns São Paulo!

Ontem foi aniversário de São Paulo. 454 anos.
Não poderia deixar de homenagear aqui a cidade. Poderia escrever um texto falando da minha relação com a cidade. Mas não estou muito inspirado agora, talvez depois. O que posso falar é que cada dia que passa me apaixono mais pela cidade. Consolação, Anhagabaú, Bixiga, República, Paulista, Sé...Ahhh são muitos lugares. Muitos mesmo.
O que são aqueles prédios do centro? A Paulista, o corredor financeiro? A boca do lixo e sua cena alternativa? O Metrô? Os restaurantes? O sotaque? Muita coisa.

Poderia resumir com esse vídeo que é simplesmente a cara de São Paulo.
Adoniran Barbosa e Elis Regina cantando 'Iracema', 'Samba do Bixiga' e 'Saudosa Maloca' em um autêntico boteco paulistano na Bela Vista (Bixiga).
Viva São Paulo!